10 de jun. de 2010

As palavras tem que ter além da beleza, conteúdo



Utimamente tenho sentido-me muito mal, e os temas que permeiam minha mente são sombrios , os textos que saem da minha caneta seguem a mesma linha e para os poucos que acompanham o meu blog isso esta mais que evidente.

Mais hoje eu desci desse castelo e ultrapassei os limites do muro que construí a meu redor, muro de tristeza e incerteza que me fez/ faz/ fazia , ver apenas o meu mundo. Perceber que o meu mundo na verdade faz parte de um mundo mundo maior.

Acordar e ligar o computador para ver as noticias do dia tem sido parte da minha rotina durante essas férias, e foi assim que conheci a história de uma menina, uma história chocante, revoltante.

Agricultor José Agostinho Bispo Pereira, 54 anos, acusado de abusar sexualmente da filha durante 17 anos, com que teve sete filhos, em uma ilha do litoral maranhese.
De acordo com a polícia do Maranhão, há indícios de que a maior das filhas-netas, de 7 anos, também sofreu abusos de seu pai-avô e há suspeita que outra menina, de 5 anos, também tenha sido estuprada por Pereira. As seis crianças nunca saíram da ilha, não sabem ler nem escrever e viviam em condições de abandono. Um deles, de 8 anos, é surdo-mudo, provavelmente por problemas de consanguinidade.

E dificil para a maioria de nos que sempre teve o carinho e cuidado dos pais, mesmo que tenhamos também lá nossas reclamações, se colocar no lugar dessa menina. E por isso nem tentei, eu apenas e com muita dificuldade, tentei entender não o caso em sí, mais as razões por traz dele. Aceitar que um ser humano seja capaz de amar de uma maneira incondicional como ama uma mãe, e ao mesmo tempo capaz de fechar o coração de entregar-se a um , sei lá o que de bruto. 

Então lembrei de casos e mais casos, de história de horror que já foram noticias e que hoje nada mais são do que, passado, por que nem lembranças elas tornaram-se.

Comecei o texto dizendo que havia aberto os olhos para o mundo novamente e saido do castelo, porém acho que não, a história dessa menina me fez olhar mais uma vez para mim.

Perceber que Não quero ser apenas palavras bonitas, seja tristes ou alegres.
Quero que minha escrita seja como um grito,e que mostre o mundo no que ele tem de belo e infame!!!
Quero que minha palavra sangre, como os meninos mortos pela guerra do tráfico.
E também faça sangrar quando necessário.
Quero poder abrir todas as janelas, das famílias que se enclausuram em seu mundo de sonhos e medos.



Quero abrir minhas próprias janelas, para perceber a dor que não é minha, e deixá-la transbordar,
como lágrimas que escorrem sob as palavras.

Declaro, aqui, minha eterna adesão à causa comunista. Serei sempre contra os que defendem a vida como mercadoria.
Serei sempre contra os que pensam o mundo como competição.
Declaro, aqui, minha admiração pelos pequenos militantes de todo dia: os que fazem sua revolução sem holofotes, nas periferias, nas escolas, nos lares.

Vou tentar que a partir de agora, em tudo o que lerem de mim haja muito mais do que as palavras.
Haja a vontade imensa de um outro mundo,outra ordem, outro pensamento.


PS : dedico a essa menina, e a todas as pessoas que assim como eu sentiram sua dor...

8 de jun. de 2010

Hoje o texto inteiro é um PS...

Estranha energia esta que liga público e atores em uma peça de teatro...
É possível sentir a vibração.
É quase possível enxergar os átomos e moléculas se movimentando e cruzando os limites do palco.
O ator se renova. 

Todo sacrifício, de noites e mais noites de insones ensaios, esgota-se em um piscar de olhos.
tenho sentido uma falta imensuravel desse espaço a qual me dediquei durante tantos anos.


"Sobra-me tanta falta" dos amigos " sem juízo" que tinham sempre as palavras certas nos momentos inadequados e por isso eram tidos como inconvenientes. 


" Sobra-me tanta falta" dos diretores com quem trabalhei e que tinham (para a minha sorte) tanta paciência...com meus atrazos, com meus esquecimentos, com meu medo de cair no meio do espetáculo, com minhas crises de existência... 


Sinto falta especialmente do MEU diretor, meu querido Zeca Gonçalves, sinto falta das suas palavras, das suas broncas " esquece Anne, era pra ter trazido a maquiagem, esqueceu? não adianta mais pedir desculpa, não vai remediar, aprenda com o erro e na próxima não nos deixe na mão..." haaa, como sinto falta de suas broncas sempre me ensinando. Acho que nunca disse a você o quanto me fez bem ter pertencido a trupe, e tê-lo como diretor, como amigo.



"Sobra-me tanta falta" ate mesmo das chatas reuniões, que hoje nem de longe me parecem chatas, dos lanches que ninguém comia por que eram passaporte diretos para dois ou tres dias de dor de barriga, das idéias para novas peças, da intimidade que existia entre nos a ponto de saber que o outro estava pensando apenas pelo olhar.


"Sobra-me tanta falta" dos exercícios de interpretação, das oficinas de atores que serviam mais para nos mesmo que para os alunos, das músicas sempre novas e que ali, dentro do grupo, ouvidas junto ganhavam um novo sentido, um ar de exclusividade, eram NOSSAS músicas...


"Sobra-me tanta falta" dos amores nascidos (que na verdade meu foi apenas um), em cima do palco do teatro, dos olhares sinuosos durante os ensaios e do coração que disparava toda vez que a cena em que contracenávamos ia ser ensaiada, o frio na barriga e a insegurança que esse sentimento trazia, era inédito, e era mágico , e era nada mais do que momentâneo...


Mais além de tudo, "sobra-me tanta falta" dos aplausos do público, dos meus olhos marejados a cada fim de espetáculo, aqueles olhos que viam o mundo como se ele fosse o espetáculo maior, onde os atores podem mudar de personagens se assim desejarem, e isso me criava uma esperança tão bonita, que nada nem ninguém era mais ou menos importante, todos tinham a mesma importância, pela raridade que eram, e pelo modo como eu via e foi ali que eu aprendi que todo mundo é belo. 


Hoje eu não sei se ainda tenho aqueles olhos, e por isso " sobra-me tanta falta" da menina que eu era...

PS: nem preciso dizer qual música eu estou ouvindo, apenas que a repeti cinco vezes enquanto escrevia.

5 de jun. de 2010

A vida ensina




Estou aprendendo a não cobrar tanto das pessoas.


A não ver nelas o abismo escuro,
e sim a lua que surpreende a noite.



A não ver nelas a boca que devora,
mas os dentes que esperam o momento do sorriso.

Garras afiadas também fazem cafuné.
E há em todo sangue
tanta vida,
tanta vida...



Estou aprendendo a desconfiar de minhas verdades.
E sei que esta é a melhor maneira de acreditar nelas!


PS: hoje a noite vai fazer muito frio!


4 de jun. de 2010






Viu-se, 

no meio do caminho de sua vida, 
presa em um quarto sem janelas nem móveis. 
Duas portas, apenas. 
E duas chaves em sua mão. 
Testou a primeira. 
E viu a porta abrir-se para um outro quarto, 
exatamente igual. 
Testou a segunda. 
E deparou-se com uma escuridão imensa 
a devorar-lhe os olhos, 
com os dentes do medo. 
Duas chaves. 
Duas portas. 
Duas opções. 
Passaria sua vida de quarto em quarto, 
testando eternamente as mesmas possibilidades... 
... ou arriscaria tudo na noite imensa, 
a ofertar abismos e janelas???





PS: O que fazem os gatos quando o sol se despedi ?

2 de jun. de 2010


Quando pequena,
tinha pesadelos horríveis,
com sombras aterrorizantes que a seguiam em escadas e porões.


Quando pequena,
via coisas que ninguém vê
e objetos que se mexiam, sozinhos, à sua frente.


Quando pequena,
gostava muito de estudar,
tirava notas altas enquanto suas irmãs amigas e primas tinham terríveis boletins.


Quando pequena,
era gordinha e morena,
enquanto elas eram alvas e esguias.


Perseguida por todas aquelas sombras,
ela não conseguia perceber
que sua inteligência era criativa, e não se prendia em notas de boletim
que sua beleza a diferenciava em seus olhos expressivos; 
contrastava com a magreza branquela das outras.


Ela cresceu, mas as sombras cresceram com ela.
Ela cresceu, mas continuou sem conseguir enxergar a si mesma.
Ela cresceu, 
e quando as sombras indizíveis não a atormentavam,
ela passou a se ofuscar sob as sombras de amores.
Não conseguiu, contudo, achar o amor dentro de si.


PS: Obrigada pela paciência de ontem a noite, minhas lágrimas encontraram alento no seus braços amigos.



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31 de mai. de 2010

Ela!







Há algum tempo que tenho vontade de escrever aqui sobre uma pessoa deveras importante na minha vida, alguém que compartilha comigo muito dos pensamentos transformados em palavras, transcritos aqui. Posso dizer que algumas são inclusive plágio, sim plágio. Por que foram ditas por ela e que eu tomei para mim.
Uma mulher a qual eu chamo de Clarice. E quem é Clarice?


Clarice não tem medo ou vergonha de dizer o que pensa
 Clarice é solitária e perversa 
Clarice é traiçoeira e implicante...
Clarice nada mais é do que a parte mais obscura da menina que vos fala.
Não se pode confiar em Clarice.



Clarice é o que ela quiser ser!   Quem nasce para ser vilã nunca chegará a ser mocinha...










Acontece que Clarice na maior parte do tempo é uma menina escondida, mantida em cativeiro. E como acontece que todas as meninas que assim são " criadas" , ela se transformou em uma menina triste, arisca, meio desconfiada das intenções do mundo. 


Há dias em que Clarice toma as rédias da situação e me deixa em maus lençóis, aparece assim do nada , e diz o que vem a mente, e sempre tenho que remediar o estrago depois...


Mais Clarice é meu refugio por muitas vezes; é  ela que procuro quando não sei o que dizer, por que além de tudo ela escreve muito bem, e como ela consegue colocar no papel o que eu sinto! 


Como e quando ela surge ainda é um mistério para mim, lembro bem do primeiro dia em que a vi...Era uma noite quente, meus olhos estavam distantes olhando pela janela a lua brilhante no céu, e assim, como vinda das estrelas Clarice se fez viva no meu pensamento, eu pude contempla-la por inteiro, seu rosto, suas roupas, seu sorriso ( quase nenhum), os cabelos, e mais do que tudo o que ela me dizia. Foi como um sonho, real. Nunca mais deixei Clarice partir, a mantenho presa , fechada em um quarto escuro, na cia dos livros que ela tanto ama. 


Ate pensei certo dia em deixá-la ir, abri a porta do quarto e não olhei para traz , fechei os olhos e esperei passar por mim o vento frio que faz quando um ser corre...para minha surpresa , nada aconteceu; Clarice preferiu ficar, disse que eu preciso dela.


Achei por bem não discutir e nunca mais toquei no assunto. Convivo com Clarice muito bem.






PS: Flores azuis são raras.

27 de mai. de 2010

Eu sou privilegiada

Eu tenho amigos maravilhosos que me presentearam com um festa linda e com um bolo...especial. rsrsr



Que estava uma delícia, perfeito pra se comer tomando uma Brahma




É...só uma pessoa privilegiada igual a mim para ganhar um bolo " Conde Drácula"


PS: " completamente loco, mais um loco consciente"

Como eu ia dizendo...



Hoje estou meu assim
meio leve
meio feliz

ligeiramente sagaz
ligeiramente livre

nao fui no psicologo, fugi,
nao quero q me digam "e como você se sente quanto a isso?"
ue!! sei la...
agora eu sei o q eu quero
eu quero deixar o acaso me seduzir
quero perder o controle

quero o vento no meu rosto
e talvez lagrimas ou risos
a musica hoje esta baixa
e eu estou profundamente alegre

nao, nao aconteceu nada é so clarice

Hoje estou assim querendo uma cerveja ou vinho , esperando atençao nenhuma
nao tenho medo, nem da solidao nem do silencio, nao tenho medo do amanha q me espera
por hoje
por hoje eu quero o mundo inteiro









PS: " eu vejo uma luz no fim do túneo"

25 de mai. de 2010



Ao Veríssimo.

Agradeço, mais uma vez suas palavras que tiram lágrimas dos olhos. Minha alma se eleva ao portões do paraiso guiada por cada uma das sílabas.


PS: Hoje é meu 24° aniversário, e entre os desejos de saúde e muitos anos de vida, eu desejo aprender o que  diz esse texto.

PS 2: Pic ! Pic pra mim.