2 de jun. de 2010


Quando pequena,
tinha pesadelos horríveis,
com sombras aterrorizantes que a seguiam em escadas e porões.


Quando pequena,
via coisas que ninguém vê
e objetos que se mexiam, sozinhos, à sua frente.


Quando pequena,
gostava muito de estudar,
tirava notas altas enquanto suas irmãs amigas e primas tinham terríveis boletins.


Quando pequena,
era gordinha e morena,
enquanto elas eram alvas e esguias.


Perseguida por todas aquelas sombras,
ela não conseguia perceber
que sua inteligência era criativa, e não se prendia em notas de boletim
que sua beleza a diferenciava em seus olhos expressivos; 
contrastava com a magreza branquela das outras.


Ela cresceu, mas as sombras cresceram com ela.
Ela cresceu, mas continuou sem conseguir enxergar a si mesma.
Ela cresceu, 
e quando as sombras indizíveis não a atormentavam,
ela passou a se ofuscar sob as sombras de amores.
Não conseguiu, contudo, achar o amor dentro de si.


PS: Obrigada pela paciência de ontem a noite, minhas lágrimas encontraram alento no seus braços amigos.



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