16 de jul. de 2013

Sonhos


Cada vez que ele dormia
sonhava um sonho
um sonho ruim
sonhava

Cada vez que ele deitava
aflorava
toda noite
ou ate de dia
o som
do sonho.

Mas um dia,
de noite,
em sonho,
ele descobriu que sonhar
era solitário
e forçou o sonha a encontrar uma companhia
dias de pesadelo...
noites a dentro...
Sonhava só.

Um dia,
acordado no sonho
cruzou a noite uma moça linda de morrer
de se vê na noite
Então, ele não mais doirmiu neste sonho
manteve-se atento
puma leve
quando a presa dormiu
pôs-se a deitar em terra,
ao seu lado,
na esperança de que não viver mais um sonho sozinho
e a surpresa foi grande
quando na noite, já dormindo, ainda em seu sonho
ele entreou no sonho dela
e a beijou como beijo de sonho
com gosto de goiabada, de creme...
E o som da verdade dormida e sentida
arrepiou-se em saber
quando acordado, que não era mentira
sonhara com a moço ao seu lado
no momento em que ela virara realidade.


23 de fev. de 2013

O Tom, o Dom

No inicio, tinha como objetivo escrever nesse blog opiniões e coisas do meu dia a dia, com o tempo foi virando mais do que isso. Talvez nem eu mesma soubesse das coisas que se passavam em mim, e , somente com a oportunidade de exteriorizá-las através da escrita é que eu me vi tão esquisita de fato.

O caso é que tenho tido pouca vontade de escrever algo por aqui, pouquíssima eu diria. Tenho pensado que talvez seja por que ando lendo pouco, durante o ano de 2012 se eu tiver lido cinco livros por completo eu li muito, e não tem como alguém ter inspiração pra escrever, nem mesmo que seja um bloguizinho, se não alimentar a  mente com belas palavras.

Tenho lido bons textos online, o que tem sido pior, parece que alguém sempre já escreveu sobre tudo que eu queria e de forma muito mais concisa, objetiva e por que não dizer, poética do que eu. Será que todos os escritores sentem isso?


É fundamental pra mim hoje, que eu encontre o meu jeito de escrever. A minha forma de expressão. Claro, não quero (e nem conseguiria) escrever sempre do mesmo jeito, haverá dias em que de repente uma poesia pule dos meus dedos na tela ou na folha, porém do mesmo modo como ao sair da adolescência  aquela belíssima fase da vida onde o que mais sabemos, é que não sabemos nada, mais temos certeza absoluta de tudo, e que por isso cometemos besteiras pra todo lado, e são devido a elas que chegamos na fase adulta ao menos com um norte em nossas vidas. Assim eu também quero com a minha escrita.

Gosto de escrever e frequentemente recebo elogios por isso. Mas não enxergo em mim uma autenticidade.
Quando lemos Graciliano Ramos por exemplo ou Jorge Amado, logo nas primeiras linhas reconhecemos o "tom" do autor. Não há como confundir.

É isso que quero descobrir, qual o meu "tom". Descobrir-me e assim me passar para o texto. Não quero ser eco da voz nem da forma de ninguém. Quero me inspirar e não plagiar, mesmo que de forma inconsciente os grandes autores que leio.

Então me pergunto: será que Graciliano ou Jorge sabiam de seus respectivos tons literários ou eles simplesmente escreviam sem a preocupação de mais nada?