30 de ago. de 2012

De Madalena a Bruna Surfistinha


Faz mais de dois mil anos que Madalena virou simbolo de pecado e redenção ao mesmo tempo, pela profissão que exercia. E muita coisa permanece do mesmo modo.
Claro, há quem diga que hoje a prostituição se vestiu de um certo glamour, que a mídia faz apologia a ela, e etc etc etc...Mas vamos falar sério? quem, de verdade, RESPEITA uma garota que se declara uma? A começar que não conheço nenhuma corajosa a esse ponto, já da uma idéia que trabalhar com sexo (no caso, fazendo) não é bem visto pela sociedade.

Vamos deixar claro aqui, que estou falando de mulheres (e homens, por que também existem prostitutos, mas ai é tema pra uma outra vez) adultas, maiores de idade e que seja por vontade própria ou necessidade de seja lá o que for, estão nesse ramo por que querem. Exploração sexual e prostituição infantil não tem conversa, é crime e pronto.

Nunca consegui entender por que uma mulher adulta e responsável por seus atos, não possa, se quiser e com outro adulto, transar por dinheiro, afinal o corpo e dela. E não esta infringindo nenhuma lei, além , claro, da própria lei que condena a prostituição.

Vamos imaginar o seguinte; um mulher de 25 anos,mais ou menos ,resolve que quer ganhar dinheiro fazendo sexo, então ela prepara um quarto em sua própria casa para receber os clientes. Não trabalha com anúncios, ela consegue clientes na noite, quando sai fala pros interessados que trabalha com sexo, diz o valor, e o leva pra casa. Faz o programa e pronto, recebe o pagamento e o cliente vai embora. Nenhum terceiro foi envolvido na negociação, nenhum menor, nenhuma droga ou armas, nada, penas sexo e dinheiro. Talvez eu seja muito "pra frente" como diz minha mãe, mas não vejo onde isso pode ser crime.

Entendo que seja uma profissão que nenhuma mãe deseja pra seus filhos, exatamente por que a maioria nem considera uma (embora o que mais exista por ai é família que se sustenta com dinheiro vindo dela). Qual pai deseja que seus filhos conviva em um ambiente que traz perigos reais e diários pra vida? Além de claro, estar fazendo sexo, a maioria dos pais preferem nem imaginar que seus filhinhos já fazem isso. Corrigindo, as filhinhas não podem, os filhinhos não só podem como devem, e mais, aonde os papais os levam pra isso?

Mas é assim mesmo, sexo não é só sexo, não pra meninas.

Mas não sejamos tão radicais assim, talvez o problema sejam as coisas que rodeiam a prostituição, como exploração, pedofilia, drogas, violência. Mas tudo isso não é criado pela prostituição em si, não mesmo. É  o preconceito, vindo especialmente, mas não somente, da religião, transforma essa profissão em algo do submundo. Já imaginaram como seria diferente se todos os estabelecimentos que oferecem esse serviço fossem regulamentados, tendo que seguir regras e leis, inclusive trabalhistas? Ainda haveria todos esses problemas que citei a cima? é possível, por que tem em todos os lugares, mas acredito que seriam menores.


E nesse exercício de imaginação, vamos olhar pro outro lado também, afinal de contas existe quem venda sexo, por que existe quem compra sexo, ou não? ou você é do tipo que acha que a culpa é da mulher que se oferece e os pobres homens, tão incapazes que são de se controlarem, cedem e por isso não podem ser responsabilizados? fala sério, né!

Sexo é sexo, todos os seres humanos gostam, querem, uns mais outros menos (e não estou falando de gênero, é individuo), mais uma vez repito, falando de adultos. Saindo da visão religiosa, que divinificou o ato sexual, e trouxe mais danos que benefícios as nossas vidas, vamos ver que é a coisa mais natural do mundo e uma das mais gostosas também. E fazer isso não desrespeita ninguém, como posso estar desrespeitando alguém, se os dois sabem o que estão fazendo? Desrespeitar é mentir, é dizer que ama pra levar pra cama, e depois sumir (juro que a rima não foi proposital)


Vamos parar de hipocrisia , de falar de um jeito e agir de outro por debaixo das cobertas. Vamos regulamentar a profissão mais antiga do mundo, vamos punir com rigor pedófilos e exploradores pra deixar livres as pessoas que desejarem entrar nesse ramo, seguirem seu trabalho em paz.










17 de ago. de 2012

Esboço

O quarto escuro, as pequenas velas no chão, a luz do mini rádio iluminando o caderno (agora é netbook), as musicas gostosas de ouvir e viajar. Eu nunca fiquei sozinha de fato quando me refugiava em mim, nunca. Todas as memorias mais intimas que tenho da minha infância e adolescência são desses momentos secretos comigo mesma. Havia (e ainda há), não sei ao certo, algo de errado... é a sensação que tenho. Quando entro no meu quarto, tranco a porta e não ligo a luz, é como se eu me transformasse em outra pessoa.

Horas passam em segundos e por mim não sairia nunca mais dos lugares que vejo, tão claros tão nítidos que  parecem fugidos da minha imaginação e plantado raizes na realidade. As pessoas, as conversas, as risadas, os choros, tudo é muito mais real que o que sinto aqui. Fico imaginado se não sou de fato um sonho, um sonho Anne, que trabalha e vive em uma casa com pai, mãe e agora marido. Mas que isso tudo é um sonho, a verdade é lá, com aquelas outras pessoas que conheço, lá onde me sinto viva, me sinto real, não aqui. então, tudo isso que toco agora, que vejo agora é que é a "invenção da mente".

Não lembro de nunca ter "vivido" sem esse outro lugar. Acordava sedo quase todos os dias pra aproveitar o tempinho que ficava sozinha em casa durante as manhã pra viajar pra lá, de volta. E quando meu pai chegava meio dia pra almoçar eu odiava ter que voltar pra cá, e então vinha a tarde de estudo e brincadeiras com os coleguinhas que me odiavam e riam de mim. Nunca tive muitos amigos, nunca.


Com o tempo fui sendo obrigada a visitar muito raramente esse meu outro mundo, ficando pressa nessa realidade alternativa de trabalho, estudo, roupas, contas, namorados, aparencias, stattus, cobranças. E quando nas poucas vezes em que eu consegui voltar pra lá, ja não era mais a mesma coisa e seus habitantes ja não me olhavam como de costume, alguma coisa dentro de mim se perdeu...alguma coisa que fazia a diferença.

E agora, eu choro por que eu quero muito , muito voltar e não sei como, nem se posso...nem se devo.

Esse mundo aqui não me pertence, não me sinto parte dele. Mais ninguém entende isso, ninguém acredita em mim. Eu amo vocês que fazem parte dessa minha vida aqui, mas vocês tem que entender que aqui não sou eu, é so um esboço , um bom esboço , mais so isso...
E que eu preciso voltar a ser o que era.



10 de ago. de 2012

Por que não falar de Maconha?

Da total falta de criatividade pra escrever, nasceu o convite a quatro amigos queridos pra escreverem um texto, sobre o assunto que quisesse, com seus pontos de vistas e sem nenhuma censura. Assim o Coelho Branco recebe com grande alegria a primeira convidada, Hortência, que nos convida a pensarmos um pouco mais sobre a maconha, sem preconceitos, e quebrando tabus. Mesmo que você tenha uma opinião contrária, vale muito a pena conhecer os argumentos dela. Vamos lá?


Em pleno século XXI alguns assuntos permanecem tão - ou ainda mais - tabu que nos séculos passado. Não somente essa dificuldade, vergonha ou medo que as pessoas têm de falar sobre cannabis (famosa maconha) o que muito me impressiona é a passividade diante de outras drogas que atingi de maneira mais maléfica seus próprios usuários e a sociedade, e permanece de modo inquestionável. Já está mais do que na hora de considerar que há algo errado nessa história.

Existe uma imagem generalizada que constrói um mau pensamento a respeito da maconha, que a coloca como grande vilã tanto da saúde pública quanto do tráfico, etc. Mas até que ponto isso é de fato verdade?  Dizem por aí que ela deixa a pessoa agitada, com força descomunal, que mata neurônios, que leva a usar outras drogas mais pesadas, etc. O que não é nada verdade, cientificamente estudado e comprovado. Penso se esses argumentos difundidos pela grande maioria da população sobre a maconha é de fato delas ou não, e acredito que não.  Porque uma minoria que lucra com a proibição da cannabis, essas mesmas pessoas que contribuem para a permanência do tráfico, difundem essas ideias contrárias a verdade da maconha, para gerar pânico, causando um terrorismo psicológicos na sociedade, assim continuar a criminalizar a planta e receber os ganhos que se tem com o contrabando, trafico e etc, e por a culpa na maconha.

Afinal de contas, de onde vem tais afirmações negativas? Há muitos países atualmente que dedicam um estudo criterioso a respeito da planta Cannabis, e tais estudos e pesquisas já apontam que esta planta possui mais benefícios que malefícios, então em que se sustenta esse pensamento massificado contra a 
pobre planta? Em quê?







Mas o povo não tem culpa, como disse no inicio do post, pouco se fala sobre maconha livremente. As informações que são permitidas a chegar ao cidadão comum, longe desse âmbito, são essas negativas mesmo, para que eles possam controlar as mentes e as opiniões, não me surpreende então porque é tão difícil abrir mentes, “fazer a cabeça” legalmente.  As reportagens midiáticas do nosso país estão mais preocupadas com suas ligações benéficas com partidos, com benefícios que recebem em troca da alienação do povo. Mas e quando vão falar das descobertas - nada recente, diga se de passagem – sobre o uso da maconha, medicinalmente ou recreativamente? Quando vão falar que a maconha vem sendo usada em tratamento para paciente com HIV, esclerose múltipla, câncer, dores, insônias e outras coisas mais? Pra mim isso é prova clara que eles estão manipulando as informações.


Meu propósito aqui é trazer para o discurso a maconha. Para desmistificar esse terrorismo sobre a cannabis, já que muito já foi estudado e visto que esses fundamentos contra a planta é falso.  Existe muito jogo de classes nessa história.
Bem, gente esse é só o começo, ainda tenho o que dizer a respeito mas fica pra próxima, beijo no ombro. Pensem:

“Os oprimidos, contudo, acomodados e adaptados, ‘imersos’ na própria engrenagem da estrutura dominadora, temem a liberdade, enquanto não se sentem capazes de correr o risco de assumi-la. E a temem, também, na medida em que lutar por ela significa uma ameaça, não só aos que a usam para oprimir, como seus ‘proprietários’ exclusivos, mas aos companheiros oprimidos, que se assustam com maiores repressões” Paulo Freire.

Hortência Cavalcante.

4 de jul. de 2012

Alguém?


Vem de novo a eterna sensação de estar no tempo errado,
no mundo errado.
Essa estranheza que, de repente, colore as coisas e as gentes...
e uma solidão esquisita,
solidão acompanhada:
estar cercada de amigos e,
ao mesmo tempo, só.
Esse sentimento de impotência -
de querer ajeitar as coisas,
mas não saber muito bem onde elas devem ficar.
De querer endireitar algo, quando não sei,
sequer,
se quem está fora de lugar sou eu ou o mundo.
Vontade de me juntar com outros
que sintam algo assim como eu.
Mas não sei onde começo a procurar.

28 de jun. de 2012

Minhas noites em claro



Adoro as madrugadas, sério mesmo, sou um ser absolutamente noturno.
Desde a mais tenra infância que me lembro de adorar esse silêncio que fica quando a maioria vai dormir. Quando era criança tinha uma fantasia de que saia pela rua sozinha caminhando, caminhando...

Estranho que pra mim a melhor parte é aquele momento pouco antes do dia raiar - que onde eu moro é mais ou menos entre 4:30 e 5:10 - não aquele quando o sol nasce, por que em geral ja estou com sono e na cama. Foram muitas as vezes em que eu saí pro quintal de casa para ver o céu clareando. É um pouco diferente do pôr do sol,  sinto uma sensação de limpeza, de pureza, de alegria não sei, não se explica... sei que é meu momento favorito da madrugada.

Não moro sozinha, então pra mim as madrugadas em claro trazem consigo uma obrigação de ser meio gato, pra não acordar os outros moradores que estão em seus castelos floridos ou viajando pela europa, uso todo o meu lado felino, com movimentos suaves quase como em uma animação da Disney, os pés sempre descalços e até pra abrir uma porta ou pegar um prato no armário da cozinha eu calculo cada movimento. Claro que as vezes ao passar pela sala esqueço de uma sandália que deixei jogada e não mais que de repente meu corpo esquece os cálculos e bate energicamente sobre um bibelô no rack fazendo todos da casa voltarem de imediato das "férias no velho continente", mais tudo bem.

Nas altas horas da noite é que passam os melhores filmes na tv, é estranho isso, não sei por que na minha cabeça ainda rola a idéia de que os melhores produtos devem fica na vitrine(no caso da tv o horário comercial) pra chamar freguesia , mais tudo bem, não entendo nada de marketing mesmo. O fato é que todo mundo sabe que na madrugada sempre tem um filme bom pra se ver. Poderia citar no minimo uns cinco que conheci em uma dessas minhas noites acordada. Outra coisa é que dificilmente eu lembro do titulo desses filmes no dia seguinte, e fico naquela de tentar adivinhar através de uma cena ou do nome de um ator.

Foi o caso do filme Grandes Esperanças, faz um tempinho isso, mais ou menos uns 6 anos, mais desde que eu vi eu sempre lembrava não necessariamente dele mais do que eu senti enquanto assistia. Sempre que conversava sobre filmes com alguém perguntava sobre "o filme que tem um cara que é pintor e gosta de uma loira enjoada", ninguém sabia...

Um dia conversando com um amigo recente perguntei-lhe se conhecia o tal filme e ele : " Sim, um que passou de madrugada na televisão?, pô, como é mesmo o nome dele..." e ficamos tentando lembrar.
Hoje eu tenho o Grandes Esperanças e continuo amando de paixão. As vezes eu acho que se eu o tivesse conhecido de outra maneira não significaria tanto.


 Medo do escuro é algo que eu nunca tive. Vai confesso, tive um pouco durante um certo tempo, pouco tempo, e o que amedrontava nem eram os monstros e extraterrestres que minha mente criava, o que me punha medo mesmo era a sensação de solidão. Somente eu, minha mãe e meu pai em casa, aquela casa enorme (nem era tanto mais pra criança tudo é grande e na madrugada ficava tres vezes maior), silêncio que não se ouvia nada além do barulho do ventilador no quarto, o que fazia quase uma trilha sonora da cena na minha mente. Imaginava meus país saindo pouco antes de eu acordar, imaginava malas em suas mãos, eles abrindo a porta da frente e indo embora, tudo em câmera lenta. Tinha um medo terrível de perdê-los. 


Estudar também é sempre melhor tarde da noite, por que não tem distrações. Escrever então nem se fala, meus diários sempre foram escritos quando todos ja estavam dormindo e quando eu sabia que não tinha mais nada pra acontecer naquele dia. Ler eu não gosto tanto não, por que acaba me dando sono.

Me digam uma coisa, vocês também gostam de olhar as pessoas enquanto elas dormem?
Sempre acreditei que quando dormimos nosso rosto fica igual rosto de anjo, nunca vi um anjo (não que eu saiba ou me lembre), mais eu tinha certeza que todos nos somos parecemos com um. Mas uma vez conheci um cara que me deu um certo medo. O rosto dele não ficou sereno, ficou meio...demente, achei muito estranho. 


  
E os sons que só escutamos a noite? os passos de alguém na calçada da rua, o cachorro que arranha o chão afiando as unhas, o pingo d`agua na pia , e outros sons que ate hoje eu não sei exatamente de onde vem e que eu chamo de som da madrugada simplesmente.

E quando era criança tinha ataques de sonambulismo , sério, mãe diz que era como se eu estivesse acordada, fazia tudo do mesmo jeitinho, sem esbarrar , sem me perder. Ela tirava todas as noites a chave da porta e trancava a gaveta com facas na cozinha, tinha medo que eu me machucasse. Hoje não tenho mais isso, agradeço aos deuses.
Não sei como é com os outros sonambulos mais eu lembro vagamente de alguns desses meus ataques, era como se o sonho se misturasse com a realidade. Uma vez a tarde mesmo, devia ter uns 12 anos, deitei ao lado da mãe na cama dela pra tirar um cochilo e acordei perguntando : não é mesmo mãe ? diz, o que vc acha? ela virou pra mim e disse: o que menina, tu ta é sonhando é ? e eu : " Não, mãe daquele rapaz que tava aqui.... e olhei pro lado e me dei conta que eu tinha sonhado. Fiquei com tanta vergonha.


Mas acho que ja contei histórias de mais nesse texto, bom parar por aqui se não a inspiração que hoje ta aflorada acaba me fazendo acreditar que tudo bem contar aqueles casos mais esquisitos que ja vi nas madrugadas em claro.

E é tudo tão fascinante nas madrugadas não é mesmo? que dormir é quase uma perda de tempo, só não é por que quando a gente cresce e tem que trabalhar, dormir é o que ela pode trazer de melhor.




PS: buscando imagens pra ilustrar o texto, digito madrugada e me mandam imagens do seu madruga !

14 de jun. de 2012

Crítica do livro Para Sempre


A livraria Nobel fez uma promoção pelo facebook, ganharia o livro, Para Sempre, quem mais compartilhasse o link da promoção, e depois de encher a time line dos meus queridos amigos e quasse ser impedida de compartilhar por dois dias, todo o esforço valeu apena por que o livro é meu!

Não tenho muita sorte de ganhar coisas, acho que posso contar nos dedos todas as vezes em que fui sorteada com algo.E as vezes me bate um instinto competitivo incontrolável...

Essa leve introdução é pra contar como esse livro chegou ate mim, sim por que esse seria um daqueles livros em que eu passaria por ele e nem me daria ao trabalho de ver do que se tratava.
 Pois eu digo agora que vale muito apena ler, e vou enumerar as razões:

Antes umas coisinhas. Grande parte das críticas ao livro são negativas, por que a leitura é rápida demais, por que ele simplesmente narra uma história, por que as vezes o livro fica muito frio.
Não nego nenhuma dessas afirmações, realmente o livro melhora no final apenas, e tem um capitulo inteiro que é desnecessário, mais recomendo que leiam , sim, apesar de tudo isso.

O fato da leitura ser rápida, melhora a coisa, eu li o livro em um dia, e por que tinha outras coisas pra fazer, por que é perfeitamente possível lê-lo em uma tarde. Acho que as pessoas que gostam de ler acabam depois de um tempo, esquecendo como leituras rápidas são gostosas e refrescam a alma, ficamos muito acostumados com "bíblias" gigantescas e palavras difíceis. Sentar na varanda com uma musica instrumental e apenas viajar nas palavras e na história, é muito bom. Sempre pressa, sem expectativas.


Kim Carpenter, o marido e escritor do livro realmente apenas narrou a história do casal, sem "firulas" românticas , sem clichês, sem uma trilha sonora tocando ao fundo (eu achei por bem colocar uma musiquinha enquanto lia, recomendo), ora, mais engana-se profundamente quem acredita que para uma história ser bonita precisa de maquiagem hollywoodiana, ainda mais essa de Kim e Krickittt, que realmente aconteceu, não é invenção da cabeça criativa de nenhum autor.

Fica claro que ele não é escritor, ele é um esportista, acredito que tenha tido uma consultoria para escrever Para Sempre, mais vemos claramente que é a visão dele pura, simples, real e corajosamente entregue. Não sei talvez, se essa história tivesse sido escrita por um grande autor, o livro faria mais sucesso.

Kim e Krickitt Carpenter casados à apenas três meses, sofrem uma acidente de carro em uma rodovial inter estadual, kim machuca-se bastante mais nada comparado ao estado da esposa, que sofre sérios danos cerebrais, e fica em coma por algum tempo. Apos acordar, a história começa, por que Krickitt não lembra do marido, não lembra que é casada, não lembra do amor que sentia por ele. Kim precisa reconquistar sua esposa novamente, e precisa aprender também a amar essa nova Krickitt que esta ao seu lado...

Pra mim, que não sou dada a romantismo, mais acredito piamente no amor, acho que o livro é como deveria ser

Precisa ser dito também que o livro é quase um depoimento daqueles que vemos nas igrejas evangélicas, de como a fé em Deus salvou meu mundo. A todo momento o casal fala de fé, de esperança, de as coisas vão melhorar. Essa fé, quase irritante deles foi de longe o que quase me fez desistir de continuar lendo, mais segui firme, com fé de que melhoraria...

Se você, assim como eu, escolher olhar essa parte sem preconceito, vai conseguir chegar ao ponto chave da história, a fidelidade.

A importância de nunca esquecer as promessas que se faz, de honrá-las, de realmente ser fiel a quem você ama , e a suas palavras e compromissos. Difícil acreditar em tudo que ele passou e da forma como agiu. Em certos pontos da leitura eu cheguei a chama-lo de machista, por que ele sempre repete que tem que protege-la, prove-la, etc...mesmo depois que ela ja esta recuperada fisicamente. Mais eu entendi depois que tudo isso era por causa do juramento que fez a ela, que ele estava sendo fiel ao que prometeu.
Lembrando que ela também se manteve fiel as suas promessas.

Lembrei muito da época em que a palavra de uma pessoa valia mais que um documento assinado.

Mentir é tão fácil desistir as vezes parece ser o único caminho, e qualquer coisa é motivo pra não cumprir-mos nossas promessas. Para Sempre é uma leitura rápida, real e fica um dedinho apontando pra nossa consciência.


PS: Tem um filme inspirado no livro, quem ja viu diz que é um pouco diferente da historia, mais qual filme é fiel aos fatos?






















9 de jun. de 2012

Filmes e Sábados Caseiros

Festival de Inverno rolando e eu em casa. Desde o primeiro festival que não perco nenhum, mais tudo bem, por que é por uma boa causa. Se tudo der certo, o ano de 2013 trará mudanças radicais ( e boas), mudanças que eu tô esperando há tempos...

Programação de sábado será o mais caseiro possivel, mais nem por isso desanimado. Finalmente vou assistir Jogos Vorazes, faz um tempão que me programo pra vê-lo mais sempre aparece um outro filme no meio do caminho. Não deu pra ver no cinema, o jeito foi baixar da net, mais entra o drama em que vivemos hoje, onde baixar ? Sim, por que encontrar um link que funcione está mais dificil que encontrar verdade na Veja. Foram dias procurando e so vou conseguir vê-lo por que minha amiga mais paciente que eu, baixou por torrent. Estão conseguindo estragar a internet, a basa que é o livre compartilhamento.







6 de abr. de 2012

Quem acredita em milagres?



Uma mulher encontrou uma carteira no centro da cidade jogada numa calçada, dentro vários documentos e um endereço, a mulher resolveu devolver o objeto e foi direto a casa da  irmã dessa minha amiga, que imediatamente reconheceu meu nome.

Quinta feira, dia 5 de abril pela manhã, primeiro dia de feriado estava eu na feira comprando algumas frutinhas para a semana e pra viagem de sábado. Compenetrada nas compras e distraída com as frutas, perguntando preços e escolhendo as melhores, não me preocupei com quem estava perto; foi nesse instante que se aproximou de mim uma mulher, e se aproveitando do meu momento de distração abriu minha bolsa e roubou minha carteira. Um senhor que de longe percebeu a mulher tirar algo de dentro da bolsa e sair rápido ainda me avisou, tentei correr mais não consegui mais alcança-la. O que tinha a fazer era tentar lembrar do que havia dentro e contabilizar o prejuízo, nem tanto financeiro por que o dinheiro estava na minha mão pra pagar o feirante, mais o prejuízo de tempo, por ter todo aquele trabalho de fazer boletim de ocorrência e tirar segundas via de todos os documentos e cartões.

Sem contar que minha carteira era uma  louis vuitton. linda!

Como eu disse isso aconteceu na quinta, pela manhã...

Dia inteiro chateada, por alguns instantes desejando que a ladra sentisse uma dor de barriga do cão!, por que desejar a morte de alguém não é comigo,  mesmo assim eu queria que houvesse algum tipo de punição pra ela.

Hoje eu recebi uma ligação da irmã de uma amiga...

Nesse exato momento eu estou olhando pra minha Louis Vuitton, que voltou para minhas mãos com todos os meus pertences dentro, todos. vinte e quatro horas depois do roubo.

Não tenho muita certeza disso mais acho que milagres acontecem em todas as religiões, em todos os lugares e nas pequenas coisas.

PS: agradeço a todos os santos, deuses e humanos envolvidos nesse pequeno milagre. Agradeço a moça do carro preto que encontrou e devolveu a minha carteira, mesmo sem saber seu nome, nem onde está, nem quem é, sinta-se abraçada.

28 de mar. de 2012

Trecho





Desta vez, estava tudo certo, ia funcionar e ninguém teria que“Muito além, dos confins inexplorados da região mais brega da borda ocidental desta galáxia, há um pequeno Sol amarelo e esquecido. Girando em torno deste Sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de km há um planetinha verde azulado, absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinareamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande ideia!

Este planeta tem, ou melhor, tinha, o seguinte problema: A maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz.

Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente a movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral, não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes, e assim, o problema continuava sem solução.

Muitas pessoas eram más e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.
Um número cada vez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores, algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma péssima ideia. e que ninguém jamais deveria ter saído do mar. E, então, numa quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras, pra variar, uma garota, sozinha, numa pequena lanchonete, de repente, o que tinha dado errado todo esse tempo e finalmente descobriu: Como o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz.
 ser pregado em coisa nenhuma.
Infelizmente, porém, antes que ela pudesse telefonar para alguém e contar sua descoberta, aconteceu uma catástrofe terrível e idiota, e a ideia perdeu-se para todo o sempre!”

O guia do mochileiro das galáxias

3 de mar. de 2012

O que tem pra hoje...


Na inteireza e verdade de me encontrar
estou me perdendo
o cansaço me consome
a mentira me assume
a canalhice me aparece
se enfeita
me afeta 

a mansidão se instala no peso
no peito
o corpo responde ao estereótipo 
não responde ao pensamento 
que já não responde ao sentimento
que não 
que não
nem que não
o não já não tem mais o peso do não
e o sim, perdeu a graça de aproveitar o vacilo do não

nada em mim
está em mim
nada 
essa que estou não sou eu 
essa que sou, não é mais neste instante em mim 

não me sinto confortável nesta paragem
por favor, me devolvam a mim mesma!

nada está em mim
devolva meu pensamento
minha escrita
minha literatura
minha opinião
meu consolo
meu choro
meu riso
meu ódio
devolva ao meu corpo
o MEU corpo
devolva à minha vontade
a minha gana 

devolva !
isso só tem vida em mim
se é que existe isso em mim. 

porque estou travestida de felicidade
que não é a minha
é a clandestina 

mas sem o sabor vivo do proibido
é clandestino no pior sentido
daquele que foge
que entra sorrateiro
que invade
e estupra a alma

devolva um pedaço da minha mansidão
da minha hora farta de falta de não fazer nada
(aquela do café) 

além de me inteirar com o que tenho feito
devolva as rédeas destas minhas horas que ainda não gastei 

que estão vindo de encontro a mim 
tão velozes
tão atrozes
algozes desta reconciliação comigo mesma 

devolva o som do meu peito neste grito calado
que mora em mim estes dias
junto a uma alegria cega

eu tenho mais em mim a dar
mais que uma simples execução de afazeres
eu tenho mais em mim a dar
mais que uma simples ordem de pagamento
eu tenho mais em mim a dar
mais que um telefonema de contrato
eu tenho mais em mim a dar
muito de colocar o pé no mundo
e dar
a mim uma alegria de perna ao ar

me agarrar na poeira do pensamento 
percorrer léguas numa rede pendurada à sombra fresca
provar a agitação do silêncio
a maciez desta pele
no calor de um abraço
de um braço dado, colado
apertando o outro
sentindo estar vivo
impulsionando o sangue destas veias que falam
percorrem o corpo desta mulher
desta amiga
desta filha
desta amante
desta cível
desta hipócrita
desta cínica
sonsa
sonhadora
mentirosa
artista
criadora
infame
desta que mora em mim e tem 
as qualidades e defeitos iguaizinhos 
a de um mero e grande mortal 

ela que não morre em mim
é imortalizada em sua inteireza 
se esconde por trás deste cadafalso
prestes à executá-la nesta praça de suas entranhas

tenho mais a dar
que este pensamento
não menos que um bom olhar de um por-de-sol
dar uma boa risada 
de ter o prazer de desfrutar dos ambientes
de conseguir lembrar ao menos uma cor 
do último lugar de pouso entre as minhas asas de borboletas
de lembrar de um sorriso ao final do dia
até mesmo lembrar da última reunião tida entre os meus olhos 

tenho eu uma imensidão de sede 
de ficar parada em mim um instante
para ficar viva em mim 

e passear por um segundo no meu corpo
no meu juízo
no meu sentimento
afagar os meus cabelos
os meus próprios dos outros

garimpar 
separar
ajuntar
passar
de bem 
de boa!

isso não lhe é de direito
é de natural
querer-se bem!