19 de out. de 2010





O Vázio








Era eu, outrora, muito preocupada e interessada no conteúdo. No conteúdo das pessoas, no conteúdo dos livros, no conteúdo das letras de música, no conteúdo das conversas... Procurava sempre preencher-me. O que de bom aquilo era pra mim? Depois fui ver, que, quando se trata de existir, o conteúdo é sempre o mesmo. Existe ou não existe... Ponto. Estou desconsiderando alguns conceitos que tenho sobre a futilidade.

Tive uma conversa outro dia com um amigo, sobre a moda colorida, derepente em meio a conversa eu disse: "-ah, é so uma roupa" , e parei pra pensar...não é que no fim das contas é realmente só uma roupa! por que causa tanta raiva? Por que a moda é tão importa? Então lembrei um programa que vi há um tempo na Bandeirantes, onde ficou claro que o modo de vestir de uma pessoa influencia diretamente no modo como ela é tratada.


 Imaginem vocês, dois caras negros vestidos com bermudas jeans e camiseta de clube de futebel, tendo como assessório um boné caido sobre o rosto, nos pés, chinelo. Imaginaram? agora imaginem a dupla passeando pela avenida mais rica de São Paulo, a Oscar Freira. Deu pra imaginar o que aconteceu. O fato é que conteúdo é algo que ou se tem ou não tem. Cheguei a conclusão de que, na verdade eu queria conhecer pessoas que transgredissem regras sociais, que fossem modernas e que tivessem mente aberta, mas, na verdade, era apenas uma forma de eu não ter que conviver com as pessoas que fugissem a minha maneira de ver o mundo e que fossem diferentes do que eu acredito ser o certo.Era uma maneira de fugir.



E o mais interessante é que ao me inserir em certo grupo, eu descobria que não era bem aquilo que eu procurava e sim uma coisa muito melhor. Um caminho novo, nunca antes navegado, um caminho único, o meu caminho. Mas nada, nada me preenchia nessa busca constante da felicidade e do existir, por isso mesmo acho que já estou, na verdade, em excesso preenchida e agora, o meu papel é esvaziar-me, esvaziar-me, esvaziar-me até eu deixar de ser.

O Preconceito começa em mim, não no outro.

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