26 de fev. de 2012

Pobreza tem Cor

Algumas perguntinhas para você, de classe média, que diz que racismo não existe no Brasil: 
- Na escola de seu filho, quantos negros estudam?
- E na faculdade onde você se formou, quantos havia de cor preta?
- Nos bancos onde você guarda ou já guardou seu dinheiro, quantos gerentes dessa etnia?
- E nos restaurantes que você frequenta, eles sentam à mesa, junto com os clientes? Ou estão na cozinha, a preparar o peixe e lavar a louça onde você comeu?
- Nas historinhas que você lê para seus filhos, de que cor são as princesas e príncipes?
- E nas novelas que você assiste, quantas vezes eles são mocinhos ou heróis? E quantas vezes eles estão nas cozinhas, servindo alegremente a sopa do patrão?

Agora, pergunto: 
- Entre os que morrem assassinados, pela guerra do tráfico ou pela "limpeza" nas favelas, quantos são negros?
- E qual a cor da maioria das empregadas domésticas? Ou dos meninos que tentam lavar, quando você não os espanta, o pára-brisa de seu carro? 
- De que cor é a pobreza no Brasil?

Eu vos digo que a pobreza tem cor. Eu vos digo que os negros libertos foram condenados à ela. E que não basta força de vontade para escapar a isso. Por mais que diga o contrário a revista que você lê. É preciso consciência de guerreiro. É preciso guerrear, todos os dias! E as armas são a palavra, a arte, a educação de nossas crianças.

12 de jan. de 2012

Bem vindos e muito desejados



Onde há água boa
Há fertilidade.
Fertilidade das idéias
Das flores
Das frutas
Da limpeza.
Lavemos as calçadas
Lavemos a boca maledicente
As ruas das fofoqueiras
O peito dos negativistas
O preço da vaidade
A bondade dos martelos
A sociedade da "playboysia"
O sonho dos que só dormem
A luta dos que não acreditam
A ciências da falta de vergonha
A beleza da traição
Os abraços dos interesses
- da má intenção -
Os corações que não se demoram
A sujeira da nossa humana-idade
Lavemos todas as calçadas
Todos os corações sabotados...
Oremos
Olhemos
Todos os carinhos são bem vindos
Todos os carinhos (de bem, sem má interesse) são férteis...

28 de dez. de 2011

A manhã seguinte

Uma das melhores coisas que inventaram foi essa coisa de contar dias e dividi-los em anos. A manhã seguinte ao último dia de um ano qualquer não tem nada de diferente da anterior, é apenas mais uma manhã , que será seguida de outra e mais outra. Mais para a maioria de nos é um novo início (e ate pode ser mesmo), é como se tivéssemos uma nova chance de fazer dar certo. É como uma grande segunda-feira boa, por que não conheço ninguém que goste das segundas, apesar  de sempre recorrer a ela nas desculpas pra adiar tudo, quem nunca disse: Deixa, eu começo na segunda.

Verdade que não deveríamos esperar nenhuma data especial pra recomeçar, pra repensar e mudar qualquer coisa que seja em nossas vidas, quem pode saber se estará vivo no dia seguinte ou se aquela pessoa que você ama estará do seu lado? esperamos sempre a segunda-feira ou o 1° de Janeiro pra quase tudo de novo.

Ano novo é uma delícia por isso, é uma página em branco.

Fico pensando se nossos ancestrais que de bobos não tinham nada, não pensaram exatamente nisso quando criaram a contagem de tempo. De repente eles perceberam que o ser humano  necessita quase sempre de estímulos para tudo na vida, e ficaria mais fácil se em um determinado dia todos concordassem que é um novo ano e assim as coisas que fizeram, que deixaram de fazer, e os erros principalmente ficassem no ano passado, fechados, limitados ao 31 de dezembro.


Não costumo fazer lista de coisas pra realizar no novo ano, por que meus desejos mudam com as fases da lua, e mesmo que não fosse assim, o dia a dia costuma tirar boa parte da vontade,e o entusiasmo acaba se transformando em frustração. O que eu faço mesmo é escolher um único objetivo, algo possível, real. Traço o caminho, o mais viável e sigo, tenho um ano inteirinho pra conseguir, e, geralmente ao fim de dezembro,eu tenho conseguido. Desa forma a cada ano, eu realizo ao menos uma coisa importante. Claro que estou falando de coisas materiais ou viagens.


Amor, paz, saúde, dinheiro, sabedoria, e todas essas coisas eu desejo também, mais é pra toda uma vida, é aos poucos e a cada dia, é diferente.


Enfim...


Seja como for, mesmo sabendo que é só mais uma manhã, não perca a chance de fazer dela o ínicio da melhor fase da sua vida.


PS: vamos esperar juntos o 21-12-2012 ?

7 de dez. de 2011

Pequeno relato de uma história quase esquecida

Ela se atola em exigências. Diante do espelho reflete sobre o muito que deixou de ser. De tanto deixar, já não sabe quem direito é. Sabe, é certo, por exclusão: não sou assim, não sou assado, não gosto disso e não gosto daquilo. Autoconhecimento por exclusão é tudo o que tem? Conhecer-se nas negativas?
Suas interrogações viajam a velocidade da luz. Não consegue sossegar direito o espírito diante de tantas questões. Parece que o mundo resolveu parar na sua cabeça por imensas horas. É quando lembra da infância e de um dos seus dezembros:

Estava sentada na calçada de casa com o braço engessado. Ele havia quebrado, após um voo do muro ao chão, onde parou com um gosto de sangue na boca. Sentiu a dor no braço, como se carregasse 200 quilos.

Chorou até a mãe lhe escutar e levá-la ao hospital. O resultado foi gesso e atenção de toda a meninada, o que achava ótimo, afinal, os pudores da sua mãe lhe tiravam a liberdade de brincar na rua, sempre lhe restando a janela para espiar as brincadeiras e trelas de todas as crianças.

Sim, este foi um dezembro inesquecível. Nunca pensou que uma fratura lhe rendesse tanto prazer. Inventou histórias ótimas sobre seu braço. A cada criança que perguntava, aumentava um pouquinho o enredo, mudava o roteiro, acrescentava e tirava personagens com uma habilidade de fazer inveja ao mais renomado escritor. Os olhares dos seus iguais cresciam de tamanho e ganhavam um brilho de suspense e curiosidade, fornecendo mais estímulo à autora. Em uma das suas contações, fez do parapeito um verdadeiro palco, dando asas à imaginação. No entanto, a  mãe chegou de mansinho e desfez a história da menina em uma tacada só. Desmentiu tudo o que a filha havia criado, informando ao pequeno público toda a verdade. Não admitia mentiras nem por brincadeira. A menina chorou como se lhe houvesse quebrado o corpo inteiro.

Três dias de muitas lágrimas e sua mãe sem entender o que chamou de exagero.

Hoje ela vive de escutar histórias, sondar-lhes o íntimo e conhecer-lhes a motivação. Tem encontrado muitos escritores pelo caminho. Escritores como ela, que não escreve uma linha sequer, porém sabe de todas as letras. O problema é que, de vez em quando, não se reconhece mais nas histórias que vive e estaciona no espelho para se refletir. Escapole para uma região insondável, cheia de signos desconhecidos, pontuações confusas que lhe privam o raciocínio, mais que isso, lhe distorcem muito a visão e fica com esse sentimento de estranheza a querer desenhar a própria pessoa com pincéis alheios.

Negativas então é tudo o que lhe resta, porque logicamente não consegue se encaixar. Negativas que desenham uma silhueta ainda incompleta. No entanto, pondera: não seríamos todos assim? Silhuetas incompletas, desenhos ainda em construção? Foi aí que lembrou de uma parte daquele dezembro, uma parte que havia, de fato, esquecido. Lembrou que após os três dias de choro, bateu a sua porta Fernandinho, o menino mais inteligente da rua. Ele entrou devagar no seu quarto e falou:

_ Clararice, eu vim para saber o que você vai fazer depois que o braço colar? Será que dá pra gente experimentar pular também do muro de Dona Mariquinha? Beto diz que não tem coragem, mas eu sei que você nos ensina a tentar.
Antes que ela pudesse responder, ele continuou:

_ Outra coisa, a gente queria saber também se você não vai nunca mais nos contar histórias como aquela

15 de nov. de 2011

Fio de Vida

Habitava a casa desde sempre. Esquecida em uma encruzilhada da parede. No alto, onde as vassouras não alcançam. De lá tecia seu manto. E espiava.

De cima de seus fios, via o que havia quando as cortinas se fechavam. A confusão de pernas e corpos. Os sussurros e gemidos. As mãos que se achavam e se perdiam. A fusão. O enlace. O amor...

De cima de seus fios, via crescer o ventre da dona. Ouvia os choros do novo habitante. E de outro. E mais outro... Via a dona tentar domar a vida: limpar, arrumar, passar, costurar, cozinhar, amamentar, ensinar, alimentar. Via a dona esquecer-se da vida e a vida esquecer-se da dona.

De cima de seus fios, via o que havia quando as cortinas se fechavam. Os gritos, o choro, o quarto arrumado. O homem que saía, batendo portas. A dona sozinha. A cama vazia...

De cima de seus fios, via crescer cada habitante. E ir embora. A casa vazia. A dona sozinha...

Então, já não havia vassouras a chacoalharem o chão. E ela deixou seu manto estender-se até o baixo. E ela deixou seu manto percorrer o assoalho. 

E um dia, encontraram a dona sorrindo: seu corpo gelado coberto por uma imensa teia de aranha...

3 de nov. de 2011

Para o Namorado


Eu vou inventar uma nova língua pra me comunicar contigo


Uma que seja só nossa
Uma que não profere dizeres, mas diga muito
Uma que seja duas
Uma minha e uma tua
Pra que a gente
Se toque
Se escute
Se cheire
Se veja
E encontre
Além da silhueta
Além do contorno
O que o coração sendo precoce
Sentiu!
Sem que haja a necessidade de ser dita uma palavra.

Vou chamar essa nova língua de Amor.

10 de set. de 2011

VEJA, a irresponsabilidade






Sem a menor responsabilidade, a Veja deu capa pra um remédio pra diabetes, recomendando que ele seja usado para emagrecer. Não precisa ser médico pra saber que é perigoso usar uma medicação feita pra uma coisa pra combater outra coisa, ainda mais sem testes. A Anvisa correu pra alertar às consumidoras (porque, óbvio, a esmagadora maioria de usuári@s de emagrecedores é mulher, já que ser jovem, linda e magra continua sendo nossa única missão na vida) dos efeitos colaterais.

A abordagem da revista é machista, irresponsável e apelativa. Todo milagre esta associado a coisa boa, ninguém considera um milagre a morte, mais chamam a vida de milagre, viver é bom. Ser magro é um milagre, é bom, é o certo. Ser gordo é ruim e deve ser combatido.
Na foto ainda vemos uma mulher, por que claro quando se fala de padrão de beleza é sobre mulher, a preocupação feminina é ou deve ser somente essa.

Ainda é difícil pra certas pessoas e veículos midiáticos acreditarem na diversidade, e na inteligencia feminina (sério caras, não é mito, somos inteligentes). Todo mundo tem amigas ou amigos gordos, e é só olhar pras pessoas nas ruas pra perceber que elas vem em todas as formas, tamanhos e cores. Que é raríssimo ver alguém minimamente parecida com a Gisele. E que todas essas pessoas, com todas suas imperfeições, não estão sozinhas. Os casais são bem variados.  Na vida real (aquela amiguinho que você vive fora da telinha do pc e da tv), poucos são Giseles ou Bred Pitts, e mesmo assim - pasmem-  tem ou podem ter uma vida feliz e completa.


PS: Alguém ainda se surpreende com alguma matéria dessa revista? ainda tem gente que acredita nela? pior  é que sim.

31 de ago. de 2011

Crítica ao Capitalismo com Nando Reis



Não ouça modinhas companheiro, seu ouvi não é pinico. Procurando (e nem precisa ser muito, essa história de que brasileiro só gosta e só faz musica ruim, é uma mentira em que querem que você acredite), fora do eixo pop/comercial a vida é muito mais bela e significativa.



LETRA:
 
Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração
Acordará!...

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência
Adormecerá!...

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar
No mesmo quintal
Da alma ao corpo material...

Hari Krishna Hari Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama
Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando não se têm mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for
Livre do temor...

Hari Krishna Hari Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama
Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá
Para dar amor...

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão
Da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão
Do tempo espiral...



Amor dará e receberá
Do braço, mão
Da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte o seu
Guia natal..

Aaadeeeus Dooooor...(4x)

Hari Krishna Hari Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama
Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare (6x)


16 de ago. de 2011

Love yourself


Como é dificil acreditar quando escuto uma mulher dizer que esta totalmente satisfeita com sua aparencia. E devo isso aos anos de bombardeio midiático, sobre como nos mulheres somos fúteis, sem inteligencia e que fomos feitas para decorar o mundo, apenas.

Eu não estou no padrão, nunca estive, nem sei se um dia estarei ( e minha mente pergunta dia e noite se eu quero estar). Mas nem meu feminismo, nem minha perspicácia desde muito cedo , pra saber que as imagens que nos cercam são mentirosas, me imunizaram algum tempo de desgosto de mim mesma.

Eu tenho 25 anos, já passei - com algumas feridas e lições- pela adolescência, fase cruel onde a aparência é cobrada ainda mais. Não muda muito com o passar do tempo, é fato. O que muda mesmo é a forma como nos olhamos para o mundo. 



Recentimente lí em uma revista ( se não me engano foi a machista playboy, nossa ! eu leio playboy), onde 70% das mulheres e 50% dos homens se diziam completamente satisfeitos com a aparência. Lhe surpreendem também esses dados? 

Outra pesquisa , essa feita nos Estados Unidos, diz que a faixa etária onde as mulheres estão mais satisfeitas consigo mesmas é entre 40 e 60 anos. Esse não me surpreendeu.





Como mulheres só têm duas funções, ser mães e ser belas, e como essas duas funções já não podem mais ser cumpridas após uma certa idade, nos tornamos “invisíveis”, ninguém mais presta atenção na gente. O lado bom é que ficamos livres da patrulha!

Certo, não é bem desse jeito que as coisas funcionam.Continuamos sendo avaliadas e julgadas, só que bem menos do que antes. Mas o principal é que talvez nós mesmas passamos a ser mais boazinhas conosco. Porque vamos pensar: por quantas pessoas precisamos ser aceitas? Se somos hétero, quantos homens precisam nos achar lindas e sensuais? A menos que você seja miss, modelo ou atriz, a resposta é: um só. Não precisamos conquistar o mundo(não com a beleza), até porque nem dá. Nem a Gisele Bundchen é universalmente aceita. Não existe unanimidade.
E esse homem (a menos que não queiramos ser monogâmicas) vai gostar da gente por uma série de fatores que vai muito além da aparência.

A sociedade impõe uma concorrência entre as mulheres, na qual caimos facilmente quando somos jovens. Com o passar do tempo aprendemos a nos defender dessas armadilhas, dessas imposições.

Quando me olho no espelho ainda vejo um corpo arredondado, mais hoje eu sei olhar pra ele e ver que SOU EU, que aquele é o meu corpo, e que por isso, só por isso eu devo amá-lo. Há de chegar o dia em que eu não me importe mais , nem um pouquinho com os olhares que recebo as vezes de pessoas idiotas.

Não posso agradar a todo mundo, nem quero, e não pretendo perder meu tempo tentando.


5 de ago. de 2011

Não tenho amigos por que namoro


" Não tenho amigos por que namoro"


Sabem o que me deixa muito triste? quando perco um amigo pra namorado ou namorada. Sempre que alguém no meu círculo de amizade (que é pequeno) chega com essa novidade eu tremo.

Por que é estranho como algumas pessoas se afastam por causa do companheiro que , as vezes nem acompanha, ou , só está lá nos momentos bons.

Muitas vezes me perguntei o motivo disso, por que deixar os amigos de lado quando esta apaixonado? será que não dá pra dividir, ou melhor, será que não dá pra conviver, ja que os sentimentos são diferentes. Por que é preciso essa entrega total e absoluta?

E algumas pessoas que eu conheço, ainda vão além. Não satisfeitas em anular-se individualmente, ainda exigem que o outro o faça. Afastando-o de amigos.

Esse post é um desabafo e um pedido pra que POR FAVOR, pensam...