22 de jan. de 2010

Solitude



Eurydice perdida que no cheiro
E nas vozes do mar procura Orpheu
Ausência que povoa terra e céu
E cobre de silêncio o mundo inteiro


Assim bebi manhãs de nevoeiro
E deixei de estar viva e de ser eu
Em procura de um rosto que era meu
O meu rosto secreto e verdadeiro


Porém nem nas marés nem na miragem
Eu te encontrei. Erguia-se somente
O rosto liso e puro da paisagem


E devagar tornei-me transparente
Como morta nascida à tua imagem
E no mundo perdida esterilmente.



Sophia de Mello Breyner Andresen

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