4 de out. de 2015

Simples

Depois de sei lá quantos séculos, és me aqui novamente.
Tão imatura quanto antes, mas agora menos inocente. Não gosto.
Farei tudo o que estiver ao meu alcance para que a menina que ainda sobrevive em mim, jamais desapareça.
Não tenho ironia em minha fala nem sedução em meu olhar. Sou simples como uma margarida.
E estou feliz por sê-la.

NÃO DIGAS NADA!


Não digas nada! 
Não, nem a verdade! 
Há tanta suavidade 
Em nada se dizer 
E tudo se entender — 
Tudo metade 
De sentir e de ver... 
Não digas nada! 
Deixa esquecer. 

Talvez que amanhã 
Em outra paisagem 
Digas que foi vã 
Toda esta viagem 
Até onde quis 
Ser quem me agrada... 
Mas ali fui feliz... 
Não digas nada.
              

               Fernando pessoa

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