È preciso conhecer o passado para se entender o futuro”
“ Conhecer o passado para não repetirmos os mesmos erros”
Quando decide-me pela faculdade de história era mais ou menos isso que tinha em mente, conhecer a fundo o passado especialmente de nosso pais, para aprender e repassar.
não deixar cair no esquecimento heróis ou passagens históricas.
Não curso mais a faculdade, mas nesse último fim de semana tive uma aula maravilhosa.
Tive o prazer de assistir a um filme que me ensinou muito de uma época ainda obscura de nossa história, e que me atrai muito, os chamados “Anos de Chumbo” da Ditadura Militar.
Uma onda de filmes sobre o assunto tem chegado aos cinemas nacionais desde o premiado e indicado ao Oscar “O que é isso companheiro “ , passando por “ Lamarca” ,Zuzu Angel”, O ano em que meus pais saíram de férias”, e por fim “ Cabra-cega”. Sendo esse último o melhor sem duvida e o responsável pela aula de história brasileira do fim de semana.
Ao contrário de todos os outros filmes que já havia visto sobre a Ditadura Militar, esse é especialmente diferente, por abordar de uma forma mais humana o assunto, deixando de lado o modo apelativo de outros filmes, e mostrando que apesar de serem revolucionários os “companheiros” ( dou-me o direito de referir-me assim, por considerar-me militante um tanto atrasada do movimento, devido á um mero capricho do tempo, que fez-me nascer mais de 20 anos depois) eram seres humanos.
O diferencial de “Cabra Cega”, não se encontra em seu apuro histórico ou por querer justificar qualquer um dos lados (militares ou guerrilheiros). Sua força está em mostrar o lado mais humano da luta, onde pessoas normais eram as responsáveis por tudo o que ocorreu. Nada de bem contra mal, ou de militares quase robôs contra super-humanos amantes da liberdade. São apenas pessoas com ideais completamente diferentes levando ao máximo as suas convicções.
Não vou falar sobre o filme, sua trama ou seus personagens, mais sim sobre o que ele me ensinou.
Ninguém, nem mesmo os meus heróis da resistência eram perfeitos, todos eles fraquejaram em algum momento, todos eles tinham os mesmos medos que eu, as mesmas dúvidas, suas vidas também eram cheias de amores, mesmo que esses fossem menos cultivados que o amor pela causa.
Há uma parte do texto de Cabra-Cega que diz assim: "a gente nem conseguiu trazer o povo para o nosso lado". Uma ironia amarga pesou nos ombros dessas pessoas: o desejo de despertar um povo que, na verdade, não estava lá muito interessado em se libertar. Não muito diferente nos dias de hoje.
Mas meus heróis estavam lá, lutando por esse mesmo povo, errando, aprendendo, duvidando, mas sempre levantando e sabendo que a causa era justa e necessária, heróis tão parecidos comigo ou com quem quer que seja; jovens, mães, filhos, netos, estudantes, médicos, engenheiros, pessoas normais que morreram por amor. Heróis.
Escrevo hoje para todos esses heróis, para todos os que morreram e foram torturados por defender uma causa, a vocês eu digo muito obrigada. A história pode ter apagado os nomes ,mas nunca apagará os feitos e conquistas
Se por capricho do destino eu nasci mais de 20 anos depois de todos vocês meus heróis , saibam que no que depender de mim a causa não será esquecida,mesmo hoje sendo outra, ou outras, por que a repressão esta mascarada de liberdade, e a idéia de comunhão e sociabilidade, esta se perdendo.
Cabra-Cega é documento para as novas gerações, que mal têm idéia do terror dos anos de chumbo. Um filme pra ser visto, revisto, debatido, estudado e praticado.
Leiam e reflitam na letra:RODA VIVA
Chico Buarque.
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
DOM QUIXOTE
Engenheiros do Hawaii
Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro sangue, puxando carroça
Um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra,
vaidades que a terra um dia há de comer.
"Ás" de Espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário.
Muito prazer me chamam de otário
por amor às causas perdidas.
Tudo bem, até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas
tudo bem...até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
muito prazer...ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas

1 cabeças pensantes:
tbm vi esse filme, é maravilhoso, me deixou com mais vontade de ter vivido akela epoca,de lutar ao lado dos companheiros e camaradas, comunistas e idealistas da liberdade brasileira.
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