
Apesar do que possa parecer, o Coelho branco desse blog não é o da Alice.
Esse coelho é o universo, que seguindo as palavras de Jostein Gaarder, onde o homem acomodou-se. Aconchegou-se bem no fundo da pelagem do coelho onde é quente e seguro e não se arrisca mais a sair dela.
"Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá em baixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá em baixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida."
trecho do livro O mundo de Sofia
Lembro de discutir uma vez com uma querida professora( isso para mim é comum, rsrs) sobre a utilidade da filosofia em nossa vida. Para mim filosofo era somente uma cara que falava de mais e agia de menos, um cara que não tinha mais o que fazer, ou não tinha coragem para fazer e se apegava a perguntar sem jamais sequer ter a dignidade de responder.
Ate mais ou menos meus 18 anos, eu odiava filosofia, fugia da aula quantas vezes eu pudesse, na verdade eu nunca fui um exemplo de aluno, da pra perceber pela quantidade de erros ortográficos nos meus posts. Mas de uma coisa eu sempre gostei, de ler e foi justamente um livro que mudou minha vida e minha relação com a filosofia, um livro que mostrou-me que ser filosofo é fazer justamente as perguntas que a maioria das pessoas não querem fazer, e que perguntar é mais importante e as vezes mais cruel que responder.
Esse é o livro que mudou minha relação com a filosofia e consequentimente minha vida.Ainda lembro exatamente o que senti ao ler O Mundo de Sofia pela primeira vez, foi como se tudo que eu perguntava a mim mesma estivesse ali, perguntas que eu já havía feito e nem sabia, ou tinha esquecido.
As palavras fáceis, o modo como o autor explica a visão de cada filósofo as reviravoltas na história , enfim......... tudo me encantou nesse livro.
Posso dizer que ele me deu vontade de escrever, ate tentei. Escrevi meia duzia de coisas, nada relevante, coisas insólidas e sem sentindo.
Mais que ainda tomada pela emoção do livro, para mim faziam um sentindo absurdo!
De todas as palavras escritas , de todos os exemplos e conselhos, eu tomei um para minha minha vida.
Jamais me acostumar ao mundo e nunca deixar de admirar-me com ele.
Quando tudo ja parece normal e nada mais causa revolta ou supresa é por que ja estamos acomodados no interior da pelagem do coelho.
Ainda sou muito jovem e muita coisa vai acontecer em minha vida, coisas que me faram chorar, rir, comover, revoltar, etc........ mas o mais importante é que eu jamais quero me acostumar a nada, quero sempre ser como uma criança que se admira com o mundo.

Esse é o autor.
"Mas, uma vez satisfeitas todas as necessidades, será que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não vive apenas de pão. É claro que todo mundo precisa comer. E precisa também de amor e de cuidado. Mas ainda há uma coisa de que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos."
Jostein Gaarder
queria falar um pouco sobre ele, mais deixo que ele próprio fale de si.
Se há pais que vaidosamente se orgulham de que os filhos os tenham superado, de que tenham voado mais altos vôos e viajado mais longas viagens, Jostein Gaarder poderia ser um deles. Em seu caso, porém, a superação mencionada não vem da família biológica. É a pequena Sofia Amundsen, personagem de "O Mundo de Sofia", traduzido para 55 línguas, quem tem rodado o mundo, conhecido as mais diversas mãos e deslumbrado os mais diversos olhos.
Gaarder, entretanto, não é apenas seu pai. Sofia ganhou o mundo e enviou-lhe fortunas, e o norueguês pôde permanecer em casa, fazendo aquilo que mais lhe agrada: criando histórias e personagens. Só não novas Sofias. Gaarder já quase não se dedica às leituras filosóficas que fizeram sua fama. Até chega a desdenhá-las, como em alguns trechos desta entrevista à Folha
Folha - Em "O Mundo de Sofia" você ensina filosofia. Agora, em "A Garota das Laranjas", busca ensinar algo sobre o Universo?
Jostein Gaarder - Realmente falo bastante do Universo no livro, mas não tinha a ambição de ser um professor quando o escrevi. Queria escrever uma história de amor. O que acontece é que o personagem não tem qualquer filtro cultural entre si mesmo e o mundo, preferindo relacionar-se diretamente com o Universo. Vive, assim, uma existência mais nua do que em "O Mundo de Sofia".
Folha - A literatura é uma boa forma de transmitir conhecimento, como ciência ou filosofia?
Gaarder - É a segunda melhor maneira. A melhor é a conversa, o diálogo com os jovens ou entre professor e aluno. Sempre, desde a antiga filosofia grega, o diálogo entre as pessoas vivas foi a melhor maneira de lidar com a filosofia.
Folha - Filosofia e ciência devem se popularizar?
Gaarder - Com certeza, especialmente a ciência. Muito pouco da ciência moderna está popularizado. Não leio mais tanta filosofia nem tantos romances, leio biologia, astrofísica. As grandes questões filosóficas, como a natureza do Universo ou a existência de Deus, hoje são discutidas pelos cientistas, não mais pelos filósofos. Filósofos agora discutem linguagem, arte, coisas assim.
Folha - Como concilia essa atenção à ciência com a religiosidade e o misticismo que há em seus livros?
Gaarder - Pertenço à Igreja Católica e, embora não creia nela como revelação da verdade divina, encontro nela a mais importante filosofia moral. Tenho uma aproximação religiosa da vida porque sinto que minha vida e a existência do Universo são um truque mágico. Acredito na natureza do Universo por si só, e o experimento como uma revelação. O que é místico são essas existências.
Folha - Você sempre usa uma linguagem acessível a jovens. Que idade prefere para seus leitores?
Gaarder - Varia de livro para livro. Mas acredito que uma boa história para crianças pequenas será também uma boa história para adultos, embora o contrário não seja sempre verdadeiro.
Folha - O mais importante na literatura é a história?
Gaarder - Sim, não precisamos dos livros, mas das histórias. Diversas sociedades no mundo nunca tiveram livros, mas nenhuma prescindiu das histórias. Na sociedade moderna, perdemos o hábito de contá-las e começamos a esquecê-las. Por isso, tivemos que escrevê-las. Cem anos atrás, por exemplo, não havia qualquer livro infantil na Noruega. Mas havia muitas histórias, mais do que podemos encontrar hoje.
Folha - Você escreve o mais profunda e eloqüentemente que pode ou prefere a simplicidade?
Gaarder - Tento ser simples. O pensamento claro é simples e pode ser explicado facilmente. E procuro a beleza também. Como seres humanos, temos um senso estético e somos especiais por podermos ver algo como bonito.
Folha - Como é escrever depois do sucesso de "O Mundo de Sofia"?
Gaarder - Quando o escrevi, estava convencido de que teria poucos leitores. Até disse para minha mulher que não esperasse qualquer renda extra. Estava completamente errado, pois foi um abridor de portas para mim. Porém, é um livro tão especial, tão diferente, que não me atrapalha quando escrevo novas histórias. Com ele, só tinha apenas planos pedagógicos e a única ambição de ser um professor. Com outros livros, o que quero é contar histórias.
Obrigada pelo magnífico livro!

1 cabeças pensantes:
esse livro muda vc..nao consigui ler todo por varios motivos,mais o pouco que li,mecheu comigo..o considero um dos melhores livros que ja li..
bjuh,Anne amei seu blog...
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